Museu Judaico de São Paulo recebe Burle Marx: Plantas em Movimento

Com curadoria de Isabela Ono e Guilherme Wisnik, recorte da obra do artista destaca o papel das espécies vegetais como elemento estruturante de sua linguagem paisagística. Abertura: 30 de abril

Museu Judaico de São Paulo apresenta, em parceria com o Instituto Burle Marx, a exposição Burle Marx: Plantas em Movimento. Com curadoria de Isabela Ono e Guilherme Wisnik, a mostra traz um recorte introdutório da obra paisagística de Roberto Burle Marx e seus colaboradores, com foco no uso de algumas espécies vegetais –  por meio de desenhos de projetos, fotografias, filmagens e documentação do acervo do Instituto Burle Marx. A mostra tem abertura para o público no dia 30 de abril.

O percurso evidencia o paisagismo, em Burle Marx, como linguagem em que a vegetação assume papel central, estruturando composições em constante transformação. A partir de projetos públicos e privados, a seleção privilegia a recorrência de determinadas espécies e suas associações, revelando um vocabulário vegetal que atravessa sua produção e se fundamenta na observação direta dos biomas e na relação entre natureza e cultura.

Também se evidencia o caráter coletivo desse processo, construído a partir da colaboração com botânicos, arquitetos, paisagistas, artistas e jardineiros, além das expedições realizadas pelo território brasileiro. “A atualidade do legado de Burle Marx reside em sua militância absolutamente pioneira em prol da preservação da natureza, e também na sua compreensão da arte como uma presença viva e em movimento, já que os elementos com os quais trabalhava – as espécies vegetais – mudam constantemente, não admitindo formas fixas”, afirma Guilherme Wisnik.

Para Isabela Ono, curadora e diretora do Instituto, ‘’em um compromisso ético, Burle Marx entendeu o paisagismo como ferramenta para promoção de cidades mais verdes, plurais e inclusivas, ampliando o bem viver para todos.”

A produção paisagística de Burle Marx articula arte, botânica e observação direta da natureza, atravessada por uma formação cultural diversa. Filho de um judeu alemão emigrado para o Brasil no início do século 20, desenvolve uma abordagem aberta à convivência entre diferenças, perceptível na associação entre espécies de distintas origens em composições dinâmicas.  “Na exposição, Burle Marx é apresentado como figura central do paisagismo moderno e de uma reivindicação ambientalista ainda incipiente no Brasil.  Sua prática  incorporou uma dimensão crítica, dirigida a questões urgentes como preservação ambiental, valorização da biodiversidade local, e construção de cidades mais sustentáveis e inclusivas. Como articulador de uma proposta singular da brasilidade no âmbito do projeto arquitetônico e cultural moderno mobilizou espécies nativas promovendo deslocamento entre biomas e contextos diversos. Dessa forma, sua produção instaura uma poética do trânsito e do movimento que encontra ressonância na experiência histórica da judeidade, marcada também pelo deslocamento, desafios adaptativos e contínua reinvenção”, conta Patricia Wagner, diretora de Curadoria e Participação do Museu Judaico de São Paulo.

Mais do que uma apresentação cronológica, Plantas em Movimento evidencia a atualidade desse pensamento ao situar o paisagismo como ferramenta crítica diante de questões urgentes, como a preservação ambiental, a valorização da biodiversidade e a construção de cidades mais sustentáveis e inclusivas. 

Sobre o Museu Judaico de São Paulo (MUJ) 

O Museu Judaico de São Paulo cultiva e apresenta a diversidade das expressões da cultura judaica em diálogo com o contexto brasileiro e com o contemporâneo, dedicando-se à defesa dos direitos humanos e ao combate ao antissemitismo e a todas as formas de preconceito. Inaugurado em 2021, fruto de uma mobilização da sociedade civil, o MUJ possui o maior acervo judaico da América Latina. Além de quatro andares expositivos, com exposições de longa duração e temporárias, o Museu realiza festivais literários, concertos musicais, seminários, debates, publicações, jornadas, oficinas e um amplo programa educativo, entrelaçando perspectivas judaicas e não judaicas. Os visitantes também têm acesso a uma biblioteca com mais de mil livros para consulta, a um café com delícias gastronômicas comandadas por chefs e restaurantes judaicos e a “Lodjinha”, com produtos diversificados para festas e tradições judaicas.

Sobre o Instituto Burle Marx 

Preservar e difundir o legado vivo do paisagista e multiartista Burle Marx e de seus colaboradores. Esta é a prioridade do Instituto Burle Marx, uma organização da sociedade civil criada em 2019 com a missão de promover cidades mais verdes, sustentáveis, inclusivas e acolhedoras, incentivar o bem-viver em ambientes públicos e privados, favorecer o encontro entre as pessoas e elementos naturais e propiciar o acesso ao paisagismo como fazer artístico a serviço da sociedade. O Instituto tem como inspiração um rico acervo que reúne mais de 150 mil obras entre projetos urbanísticos, estudos, croquis, desenhos, fotografias, recortes de jornal, cartas e documentos que foi cuidadosamente preservado ao longo de quase sete décadas de atuação de um dos maiores artistas brasileiros do século 20.

Burle Marx: Plantas em MovimentoCuradoria: Isabela Ono e Guilherme Wisnik
Abertura: 30 de abril 
Período expositivo: 30  de abril a 2 de agosto
Local: Museu Judaico de São Paulo
Endereço: Rua Martinho Prado, 128 – São Paulo, SP
Funcionamento: Terça a domingo, das 10 horas às 18 horas (última entrada às 17h30)
Ingresso: R$24,00 (inteira) | R$12,00 (meia) | sábados gratuitos 
Acesso para pessoas com mobilidade reduzida

Informações para imprensaCor Comunicação

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