

“Alquimia da Terra” reúne instalações interativas que exploram a origem mineral das cores
A partir de 25 de abril, sábado, a Casa de Metal Espaço Cultural, no Campo Belo, zona sul de São Paulo, apresenta a exposição “Alquimia da Terra: a origem mineral da expressão humana”, da artista visual e museóloga Verônica Spnela, que propõe uma inversão de perspectiva: olhar para a história da arte não a partir de estilos ou artistas, mas da matéria que torna a pintura possível.
Do minério bruto à tinta aplicada na tela, o percurso revela como a disponibilidade de materiais, ao longo do tempo, condicionou as escolhas estéticas e suas possibilidades criativas. “Nos acostumamos a consumir a cor pronta, sem saber exatamente de onde ela vem ou do que ela é feita. Quando você entende que a tinta nasce de uma rocha ou de algum outro mineral, muda a sua forma de olhar e, também, de escolher o que usar no processo de criação”, afirma Spnela.
Instalações revelam a origem mineral das cores
Organizada em quatro núcleos, a exposição percorre da escala geográfica à microscópica. Um mapa-múndi interativo conecta obras de arte às regiões de origem de seus pigmentos, evidenciando como fatores geológicos moldaram a própria história da pintura, do azul do lápis-lazúli — historicamente extraído no Afeganistão — aos ocres derivados de óxidos de ferro abundantes no Brasil.
Ao longo do percurso, uma linha do tempo mostra como a descoberta de novos minerais e o avanço da mineralogia expandiram a paleta artística, enquanto um ambiente que recria um ateliê-laboratório aproxima o visitante dos processos de transformação da rocha em pigmento. Em outra instalação, inspirada na tabela periódica, o público é convidado a interagir com os elementos químicos e experimentar a construção da cor em tempo real.
“Existe um processo de transformação que me interessa muito, que é pegar algo bruto, sem refinamento, e converter isso em algo poético. Quando você transforma uma rocha em cor, existe uma passagem ali, quase uma metamorfose, que também é parte da própria pintura”, diz Spnela.
Mais do que apresentar conteúdos técnicos, a mostra aposta em uma abordagem sensorial e acessível, utilizando a arte para aproximar diferentes públicos de temas como química, geologia e ciência dos materiais. Ao tratar os pigmentos como matéria, e não apenas como resultado, a exposição desloca a pintura do campo da imagem para o da transformação, evidenciando os processos físicos, químicos e territoriais que sustentam a produção artística.
A proposta também dialoga com um movimento contemporâneo de revalorização da materialidade. De acordo com Spnela, se hoje a tinta chega pronta ao artista, durante séculos sua produção fazia parte do próprio fazer artístico, exigindo conhecimento técnico e domínio dos materiais.
Para Flavio Enninger, diretor do Instituto Cultural Quattro, responsável pela Casa de Metal, iniciativas como esta reforçam o papel do espaço como mediador entre conhecimento técnico e expressão cultural. “A Casa de Metal nasce com a premissa de aproximar o público de temas que, muitas vezes, parecem distantes, como a metalurgia, a mineração e os materiais. Quando a arte entra como linguagem, esse conhecimento se torna acessível”, completa.
A exposição é apresentada no espaço até o dia 18 de dezembro de 2026, e conta com acessibilidade, com vídeo com interpretação em LIBRAS, além de disponibilizar visitas guiadas inclusivas, mediante agendamento.
Serviço
Exposição | Alquimia da Terra: a origem mineral da expressão humanaLocal: Casa de Metal Espaço Cultural
Endereço: R. Antônio Comparato, 218 – Campo Belo, São Paulo, SP
Período: de 25 de abril a 18 de dezembro de 2026, das 9h às 18h
Entrada gratuita
Classificação: Livre
Agendamentos: cris@casademetalcultural.com.br



